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14/10/08

Construção sustentável é discutida em simpósio

Aconteceu nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, o I Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável. Com o tema “Construindo o Futuro. Hoje”, o encontrou reuniu 550 profissionais e empresários que tiveram interesse em conhecer e aplicar boas práticas nas novas edificações. Aproveitando a ocasião, o Comitê de Materiais do CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, lançou uma ferramenta inédita em seu site (www.cbcs.org.br), que terá como utilidade auxiliar projetistas, empreendedores e usuários na seleção dos fornecedores e de materiais, que serão utilizados na obras. De tudo o que foi discutido, as palestras de Cristina Montenegro, coordenadora do Unep/PNUMA – programa ambiental da ONU, e de Marcelo Takaoka, presidente do CBCS, entre outros; tiveram como ponto comum a constatação de que a civilização passa por uma mudança de paradigmas e, essas mudanças que acontecem na sociedade devem envolver padrões de produção, consumo e qualidade de vida e que o setor deve priorizar as boas práticas de sustentabilidade, envolvendo os aspectos ambientais, sociais e econômicos. Os participantes frisaram também a necessidade de uma mudança cultural de arquitetos, construtores e usuários com vistas a fazer frente às necessidades criadas pelas mudanças climáticas. De acordo com o professor Roberto Lamberts, da Universidade Federal de Santa Catarina, 20% do consumo residencial de energia no Sudeste é provocado pelo uso de ar-condicionado. No Nordeste o porcentual sobe para 40%. A viabilidade técnica e econômica da construção sustentável também se comprova na prática de palestrantes estrangeiros e brasileiros. A tecnologia existe e está disponível, especialmente para a conservação de água e energia, conforme Luiz Henrique Ceotto, diretor da Tishman Speyer e conselheiro do CBCS. O arquiteto Bill Odell, vice-presidente do HOK - maior escritório de arquitetura do mundo, e a arquiteta Vanessa Gomes, da Unicamp e conselheira do CBCS, garantiram que o custo da edificação sustentável é menor do que o mercado acredita e que quanto mais se faz, mais barato fica. O SBCS‘08 contou com palestras ministradas por professores, ambientalistas, jornalistas, especialistas do meio ambiente, tanto do Brasil quanto do exterior. Edifícios Zero Net - nova perspectiva Um dos temas tratados no SBCS, explicado por Roberto Lamberts - PhD em engenharia civil e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, foi a nova perspectiva que vem surgindo com os edifícios Zero NET. A novidade trata-se da edificação que gera a energia que consome, e que pode comprar ou não da rede pública, ou ainda vender o excedente. Segundo explicou Lamberts, o que aconteceria, é que com um painel fotovoltaico, essas edificações gerariam sua própria energia durante o dia e comprariam das concessionárias durante a noite, mas quando a produção for maior que o consumo, poderia até vender o excedente para a rede pública, o que segundo o professor, no balanço líquido, seria zero. A adoção em ampla escala dos painéis fotovoltaicos que permitiriam aos edifícios atingirem o Zero NET esbarra em dois obstáculos: importados, têm ainda preços elevados, além da questão legal que impede pessoas físicas de exportarem o excedente de energia para as concessionárias. No Brasil, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul está produzindo módulos fotovoltaicos, de forma experimental numa indústria piloto, com investimentos de empresas como a Petrobrás e Eletrosul. O edifício do Greenpeace, em São Paulo, produz em média 20% do total de energia consumida pelo escritório através de painéis fotovoltaicos. O primeiro sistema gerador de Zero NET do país foi instalado, em 1997, no Laboratório em Eficiência Energética das Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina. O mesmo ocorre nas universidades de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Pará, além de institutos de pesquisas e concessionárias, mas nem todas geram 100% da energia consumida. Nas cerâmicas de via-seca, o processo de produção de revestimentos é considerado ecologicamente correto por diversos fatores. Entre eles temos o fato deste processo utilizar apenas um tipo de argila, as jazidas estarem próximas as fábricas, o que diminui o uso de combustível no transporte e de não utilizar energia elétrica para secar o produto, já que essa secagem acontece ao ar livre, num processo natural. País desperdiça R$ 10 bi por ano com energia De acordo com um levantamento realizado pelo Ministério de Minas e Energias, o Brasil desperdiça R$ 10 bilhões em energia todos os anos. Deste total, R$ 4 bilhões são de energia hidrelétrica e R$ 6 bilhões de energia gerada a partir do petróleo e do gás e metade do desperdício é gerado pelos setores residênciais e industriais. O levantamento, que foi realizado quando o barril do petróleo estava a US$ 75 - hoje o valor está na casa dos US$ 100, considerou também os setores público, comercial, de iluminação pública e saneamento. Segundo informou a pesquisa, o problema está diretamente relacionado à dificuldade na absorção de novas tecnologias e à não adesão a um processo que garanta a sustentabilidade da empresa e até mesmo do País.

Fonte: Aspacer